Eu sei que você não entende esses momentos de devaneios em que eu me perco nos seus cabelos, no infinito dos seus cachos, e me esqueço de dizer-lhe o que espera de mim. Mas você tem de entender que eu preciso me retirar, às vezes, para me recompor, para juntar os pedaços da minha armadura que se desmonta quando você chega, quando você passa. E você tem que entender, menino, que essa ironia e esse sarcasmo têm mais base no medo que na arrogância. Isso mesmo, no medo. Porque eu tenho medo de ser verdade o que os seus olhos me contam: de que eu estou destinado a lhe amar perdidamente. Eu tenho medo de um dia me enroscar nos seus braços e não conseguir achar o caminho de volta, de nem sequer querer encontrá-lo. Eu tenho medo de que essa represa que eu sustento com dificuldade um dia se rompa e inunde o seu mundo, e você nem fuja e, em vez disso, fique para limpar a bagunça, fique para entender as minhas agonias, fique para sempre, para mim. Você tem que entender que, para não ficar com um pé atrás, eu tive de dar um pulo. Me segura, ou eu me arrebento. Mas acho que me arrebento se você me segurar também. Me arrebento, me devoro e me desfaço, abrindo as portas para que você entre e roube de mim o que quiser. Você tem que entender que eu levo muito a sério quando alguém segura a minha mão e diz que não vai soltar. Então, não solta. Não parta. Não fale. Não questione. Que o meu silêncio é apenas a tomada de fôlego que eu preciso para morrer no seu abraço e me despir do que me impede de verter-me em amor e fogo a cada beijo seu.
É tão triste saber que teu coração pertence a quem não sabe cuidar dele.